PRATO


O prato que usas
Tu que lavas mal
Põe pra escorrer
Tá guardado e pronto

Na beira do prato
Ficou de bobeira
A mancha pequena
Que eu devo limpar

Isso até me lembra
Dos tempos passados
Vejo a mãe cansada
Vejo o pai de lado
Uma coisa estranha
Feito uma ausência
Que eu não sei do quê

Mudo de palavra
Sem legislatura
Mitigada na loucura
Do dia comum

O que é imperfeito
É mais do que perfeito
Quando no passado
Longe do presente
Faz pensar que a gente
Um dia foi feliz

De umas coisas gosto de lembrar
De outras eu prefiro consertar
De outras eu esqueço
Finjo que não lembro
Não me aconteceu

Mudo de palavra
Sem legislatura
Mitigada na loucura
Do dia comum

Se vier a lua tenho teto
Se vier o frio puxo o cobertor
O futuro vem, não se sabe bem
O que há de trazer

Mudo de palavra
Sem legislatura
Mitigada na loucura
Do dia comum

A mancha pequena
Saltou do teu prato
Subiu a parede
Cresceu pelo teto
Respingou no chão
Trovejou, choveu

NÃO DÁ NADA

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Mana tirou minha febre
Passou em mim cobertor
Dia que era de frio
Tomei banho de rio
Pulei do igarapé

Peguei sereno até tarde
Tosse pra me acabar
Molecada brincando lá fora
Eu não posso brincar

A minha casa pequena
Moro na beira do rio
Perto de muita palmeira
Do capim cidreira
Do pé de abiu

Ouço o barulho da mata
Ouço o barulho do rio
O ‘tibum’ do mergulho nas águas
E risadas a fio

Não dá nada
Amanhã, outro dia, apareço por lá
Ai, meu deus, sai daqui ziquizira
Passa! Me deixa brincar

Mana tirou minha febre
Passou em mim cobertor
Dia que era de frio
Tomei banho de rio
Pulei do igarapé

Peguei sereno até tarde
Tosse pra me acabar
Molecada brincando lá fora
Eu não posso brincar

A minha casa pequena
Moro na beira do rio
Perto de muita palmeira
Do capim cidreira
Do pé de abiu

Ouço o barulho da mata
Ouço o barulho do rio
O ‘tibum’ do mergulho nas águas
E risadas a fio

Não dá nada
Amanhã, outro dia, apareço por lá
Ai, meu deus, sai daqui ziquizira
Passa! Me deixa brincar

LÁGRIMA

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Um rio e o gosto de mar
Saudade percorre
Aquele olhar que vadia

Corre o tempo, distancia
Entre a sombra e a luz e as cores
Quem diria?

Um ataque de riso lhe roubou uma lágrima

Ladeada pelos seus lábios
Num gosto de amor acabado

Naquela solidão
A alma sangra pelos olhos que a vê em fotos mudas, salgadas

Um livro mal lido marcado
Parece deixado de lado
Naquela solidão

Os objetos dizem mais que um dicionário é capaz de descrever
A alma sangra pelos olhos que a vê em fotos mudas, salgadas
Naquela ingênua forma de permanecer e ser nos olhos de um mortal